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September 10 É impressionante a minha capacidade de demorar para escrever no blog. Este é oficialmente o primeiro post deste blog no Live Spaces. O post abaixo foi escrito no meu antigo blog no Blogger. À época causou uma discussão danada e teve uma grande participação nos comentários. Resolvi copiá-lo pra cá para permitir que os novos leitores também discutam um pouco.
Este post não é tão longo, mas é resultado de uma reflexão de sala vip de aeroporto. Estou aqui esperando, na sala vip da Diners no aeroporto de Congonhas (dica de viajante: tenha um cartão de crédito que dê acesso à sala vip :) ), pelo meu vôo (estou indo para Rondônia palestrar no evento do SENAC, o Circuito de TI ( http://www.ti.ro.senac.br). Estou orgulhoso da forma como a tecnologia ajuda a nossa vida hoje. Por mais que eu viaje muito e use, diversas vezes, o "check-in fácil" da TAM, hoje foi a primeira vez que eu fiz o check-in pela internet e... pasmem... imprimi o meu cartão de embarque em casa! Cheguei no aeroporto apenas 25 minutos antes do meu vôo sair, despachei a bagagem em um local específico só para isso e... pimba! Embarquei. Percebam a comodidade que o processo traz para o passageiro e, pensando na empresa TAM, a economia de papel/tempo de atendimento no check-in.
A era que vivemos... a dos serviços, traz cada vez mais facilidade e cada vez mais o pensamento do "faça você mesmo porque a empresa quer economizar dinheiro, você quer economizar tempo e o meio ambiente quer evitar a destruição das árvores para fazer papel".
Eu criei uma apresentação há uns 4 anos que já falava algo parecido com isso. Na realidade eu queria provar que nós já temos robôs por todo lado nos ajudando. Pense comigo... por que nós sempre temos que ter a imagem de um robô físico, daqueles parecidos com a Rosie, robô dos Jetsons? Quando entramos no site do nosso banco e efetuamos um pagamento, será que o resultado não é o mesmo de um suposto cenário em que entregaríamos a conta e o dinheiro para a Rosie e ela efetuaria o pagamento por nós? Na minha visão, o ser humanos já criou diversos e diversos robôs que simplesmente fazem o trabalho por nós. Vivemos na era do "Empowerment". A era da delegação virtual. Nós delegamos a nossa tarefa para que os robôs (sites) executem por nós. Procurando por algo? Peça ao Robô buscador que ele procura por você. Quer comprar algo? Não precisa ir até a loja! Peça ao robô comprador que pega o seu cartão de crédito, compra o produto e envia para a sua casa...
Não sei até onde nós chegaremos com a era da delegação virtual. Eu não quero delegar a um robô (virtual ou físico) a "tarefa" de sair com meus amigos :) Espero que ninguém queira.
Pra finalizar, uma discussão que todos têm quando se fala de tecnologia. Eu sempre digo que novas tecnologias consertam os problemas antigos para criar novos. Vocês sabem qual era a maior fila no aeroporto hoje pela manhã quando eu embarquei para São Paulo? A fila de despachar bagagens! A quantidade de pessoas que fez check-in em casa ou no totem da TAM era maior do que as que não fizeram. Como só há um guichê para despachar as bagagens deste tipo de check-in, me encontrei junto com várias outras pessoas na fila, com cartão de embarque na mão, esperando para despachar a bagagem! Nestas horas eu queria poder despachar a minha bagagem pela internet...
Grande abraço e bem vindos ao meu novo blog!
--M
As duas palavras/expressões que dão título a este texto são opostas. “Lugar comum”, pela definição do dicionário Houaiss, é “idéia, frase, dito, sem originalidade; banalidade, chavão . O que é do conhecimento de todos; coisa trivial”, o que contrapõe à definição, até popular, de “inovação”, como sendo algo não esperado, original, novo.
Recentemente a Revista Exame publicou uma excelente matéria que define as tendências, segundo ela, para o ano de 2007. Enquanto lia a matéria, muito bem escrita, ficava cada vez mais empolgado até chegar à página 48 da revista. A que define, na seção de líderes que ditarão as tendências em 2007, os inovadores. Os nomes escolhidos foram:
- Chad Hurley e Steve Chen: criadores do YouTube
- Steve Jobs: CEO da Apple
- Sergey Brin e Larry Page: criadores do Google
Entenderam o porquê, então, de eu colocar “lugar comum” no título deste texto? A revista apontou, na minha opinião, os nomes que fizeram a história da inovação tecnológica no ano de 2006 mas que não necessariamente o farão no ano de 2007. Ao meu ver, foi algo como “chover no molhado”, dar um tiro com a certeza de acertar ou, mais simplesmente, um “lugar comum”. Onde eu quero chegar? A revista Exame é a mais respeitada no país na área de negócios. A equipe, altamente qualificada, poderia repensar a definição de inovadores ou pelo menos escolher alguns nomes melhores para apontar como “os caras”. Tudo bem.. tudo bem... concordo com a escolha de Jobs. Dizer que Steve Jobs será um dos grandes inovadores do ano de 2007, 2008 ou 200X é quase um pleonasmo... :)
Ainda assim discordo plenamente que os criadores do YouTube sejam os inovadores que criarão tendência para 2007. Perceba que eles já fizeram seu papel em 2006. Criaram um sistema destinado apenas a dividir vídeos com seus amigos (como a própria revista diz), mas que virou uma febre. Não conseguiram descobrir como ganhar dinheiro com isso e fizeram a coisa mais esperta que poderiam fazer... venderam pro Google. O pessoal do Google, que fez uma das coisas mais estúpidas que poderia fazer (comprar o YouTube) está agora com a batata quente na mão. Terá que fazer o YouTube dar dinheiro e ainda se livrar das ações judiciais que acontecem (e acontecerão) não só no Brasil, no caso da Cicarelli, mas no mundo todo. Se eu acredito que o Google conseguirá ganhar dinheiro com o YouTube? Pasmem... acredito sim! Como? Contratos com empresas para comerciais e vídeos exclusivos e exibição antecipada de vídeos, antes de TV ou cinema. Eles já começaram a fazer isto e acredito que dará certo! O problema simplesmente é se livrar de ações judiciais. É necessário à equipe do YouTube/Google uma definição forte de políticas de gerenciamento dos vídeos para evitar que os mesmos violem direitos autorais e causem dores de cabeça (e dores no bolso) no futuro. Como fazer isso sem aumentar assustadoramente os custos de gerenciamento e sem causar um gargalo na publicação dos vídeos? Ainda não sei... quando eu descobrir eu vendo a idéia pra eles, fico rico e vou morar em Pasárgada.
Sim... e os caras do Google? Bom, eu não considero o pessoal do Google criador desta revolução da internet. Considero-os implementadores! Esta visão de serviços e sistemas totalmente baseados em internet vem antes do Google e o que os diferencia dos outros é o fato de terem conseguido implementar isto tudo que era só idealizado. Aliás, comparo muito o Google à Microsoft, que o pessoal diz que não inventa as coisas e sim compra de quem inventou. Inovação mesmo do Google só o sistema de buscas e o uso disto para gerar negócios. Os seus outros produtos foram conseguidos seguindo a visão do “se alguma empresa fez algo legal eu compro a empresa e trabalho em cima do produto”, muito usada pela Microsoft. Assim o fizeram com o Google Earth (criado pela Keyhole, empresa comprada pelo Google em 2004), Picasa (criada pela empresa de mesmo nome e também adquirida pelo Google em 2004), Google Docs (o Writely era uma aplicação escrita em ASP .NET criada pela empresa Upstartle, comprada pelo Google em 2006), ou o próprio Blogger que uso para divulgar este texto, comprado pelo Google em 2003 da Pyra Labs.
Qual minha reclamação então? A escolha destes três personagens como inovadores que criarão tendências em 2007 foi tão óbvia que ficou faltando apenas Bill Gates na lista para termos quatro nomes “hors concours” quando se fala em inovação tecnológica: Gates, Jobs e Brin-Page. Lembrem-se que eu considero que os criadores do YouTube jogaram a batata para o Google, ou seja, já passou o tempo deles... Isto me leva a pensar que o conceito de “inovação” está ligado erroneamente somente à informática e que o título de inovador é vitalício. Não poderíamos dizer que Jack Welch, aposentado CEO da GE não foi um inovador na forma de gerir a empresa ou o próprio Katsuaki Watanabe, diretor presidente da Toyota, não inova ao conseguir crescer enquanto todas as concorrentes caem e, investindo na dobradinha processos-informática, consegue ter uma fábrica que constrói um carro novo a cada 56 segundos? Até o final de 2007 a Toyota vai inaugurar uma fábrica que construirá um carro novo a cada 6 segundos. Isto não é inovação de processos? E o pessoal do Biodiesel no Brasil, não é inovador que determinará tendência no futuro? Pois é, a melhor revista de negócios do Brasil pecou ao pensar em inovação apenas em computação, colocando nomes “repetitivos” e alguns até, no meu ponto de vista, errôneos e esquecendo de inovação em outras áreas de negócios.
Ainda estamos então seguindo a idéia de que computação é inovação. Espero que isso mude... quem pensar que computação é inovação estará um pouco atrás no futuro. O gerenciamento da computação para gerar negócios é que é a inovação da vez. Computação, nos países mais prósperos, já é commodity. Ou não? Qual sua opinião?
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